sexta-feira, 20 de abril de 2012

Agonia: Procurando a certeza racional, encontrei a busca sentimental

     Penso em toda essa incerteza, cá comigo e com meus pensamentos solitários. Imagino que nem todas elas existam de verdade, que eu esteja criando algo paralelo a minha realidade, pra não fugir da velha e boa aparência de um ser cheio de duvidas e indecisões. 

     Só não sei dizer ao certo a razão de tanta falta, de tanta precisão daquele abraço. Não de um abraço qualquer, de um abraço ao qual me sinta protegida. Talvez o de um amigo, talvez o de uma pessoa a qual eu tenha um sentimento um tanto audacioso, um sentimento mais culposo e quente, ou talvez um abraço mais fraternal, mais familiar, não sei dizer ao certo. Como saber?

     E então você cansa de se estressar, até se estressa com tanto stress. Tenta pôr as cartas na mesa, porém não entendem, julgam, ou até dizem ter um problema ainda maior. Se julgar melhor ou mais inteligente não ajuda, nem adianta tentar se enganar, o jeito que se dá é ser igual, ou mesmo indiferente. Penso que seja disto... Que venha daí tanta incerteza... Tanta insegurança não faz bem, nem segurança demais! Viver no meio termo é difícil demais, ser normal, as vezes parece ser tão complicado, parece ser ainda mais estranho e anormal. Vejo que nem mesmo eu entendo meus solitários pensamentos, por isso os deixo de lado quase sempre.

Por Kellen Ferreira

domingo, 31 de julho de 2011

Professora do RN recusa prêmio de empresários




Eis a justificativa enviada para o PNBE pela professora Amanda Gurgel:

"Natal, 02 de julho de 2011

Prezado júri do 19º Prêmio PNBE,

Recebi comunicado notificando que este júri decidiu conferir-me o prêmio de 2011 na categoria Educador de Valor, "pela relevante posição a favor da dignidade humana e o amor a educação". A premiação é importante reconhecimento do movimento reivindicativo dos professores, de seu papel central no processo educativo e na vida de nosso país. A dramática situação na qual se encontra hoje a escola brasileira tem acarretado uma inédita desvalorização do trabalho docente. Os salários aviltantes, as péssimas condições de trabalho, as absurdas exigências por parte das secretarias e do Ministério da Educação fazem com que seja cada vez maior o número de professores talentosos que após um curto e angustiante período de exercício da docência exonera-se em busca de melhores condições de vida e trabalho.Embora exista desde 1994 esta é a primeira vez que esse prêmio é destinado a uma professora comprometida com o movimento reivindicativo de sua categoria. Evidenciando suas prioridades, esse mesmo prêmio foi antes de mim destinado à Fundação Bradesco, à Fundação Victor Civita (editora Abril), ao Canal Futura (mantido pela Rede Globo) e a empresários da educação. Em categorias diferentes também foram agraciadas com ele corporações como Banco Itaú, Embraer, Natura Cosméticos, McDonalds, Brasil Telecon e Casas Bahia, bem como a políticos tradicionais como Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon, Gabriel Chalita e Marina Silva. A minha luta é muito diferente dessas instituições, empresas e personalidades. Minha luta é igual a de milhares de professores da rede pública. É um combate pelo ensino público, gratuito e de qualidade, pela valorização do trabalho docente e para que 10% do Produto Interno Bruto seja destinado imediatamente para a educação. Os pressupostos dessa luta são diametralmente diferentes daqueles que norteiam o PNBE. Entidade empresarial fundada no final da década de 1980, esta manteve sempre seu compromisso com a economia de mercado. Assim como o movimento dos professores sou contrária à mercantilização do ensino e ao modelo empreendedorista defendido pelo PNBE. A educação não é uma mercadoria, mas um direito inalienável de todo ser humano. Ela não é uma atividade que possa ser gerenciada por meio de um modelo empresarial, mas um bem público que deve ser administrado de modo eficiente e sem perder de vista sua finalidade.Oponho-me à privatização da educação, às parcerias empresa-escola e às chamadas "organizações da sociedade civil de interesse público" (Oscips), utilizadas para desobrigar o Estado de seu dever para com o ensino público. Defendo que 10% do PIB seja destinado exclusivamente para instituições educacionais estatais e gratuitas. Não quero que nenhum centavo seja dirigido para organizações que se autodenominam amigas ou parceiras da escola, mas que encaram estas apenas como uma oportunidade de marketing ou, simplesmente, de negócios e desoneração fiscal. Por essa razão, não posso aceitar esse Prêmio. Aceitá-lo significaria renunciar a tudo por que tenho lutado desde 2001, quando ingressei em uma Universidade pública, que era gradativamente privatizada, muito embora somente dez anos depois, por força da internet, a minha voz tenha sido ouvida, ecoando a voz de milhões de trabalhadores e estudantes do Brasil inteiro que hoje compartilham comigo suas angústias históricas. Prefiro, então, recusá-lo e ficar com meus ideais, ao lado de meus companheiros e longe dos empresários da educação.


Saudações,
Professora Amanda Gurgel"

quarta-feira, 13 de abril de 2011

CASA DO POETA BRASILEIRO DE PRAIA GRANDE (SP)


Visite CASA DO POETA BRASILEIRO DE PRAIA GRANDE-SP

sábado, 19 de junho de 2010

A LUCIDEZ QUE INCOMODAVA?





Não sou um ateu total,
 todos os dias tento encontrar um sinal de Deus,
mas infelizmente não o encontro.
José Saramago








 
     Faleceu ontem em Lanzarote (a ilha mais oriental do arquipélogo das Canárias) aos 87 anos de idade o escritor português José de Sousa Saramago (1922-2010). Saramago foi laureado com o Nobel de Literatura de 1998 e o Prêmio Camões (mais importante prêmio literário da língua portuguesa). Um dos seus livros "Ensaio sobre a Cequeira" virou filme e foi dirigido maestralmente pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles. Quem ainda não conhece esse escritor e seus escritos tem a oportunidade de fazê-lo, pois dificilmente não haverá uma biblioteca pública em países de língua portuguesa que não tenha algum dentre seus vários livros e, também, há inúmeros sites com sua biografia e cometários sobre sua obra. Me atenho em fazer essa humilde e que se quer justa homenagem ao escritor sem ficar "chovendo no molhado" acerca de sua biografia e obra.
     Por conta das ideias contidas em seus livros, foram e, arrisco uma previsão, serão por muito tempo polêmicas e rechaçadas com a mesma ou maior veemência, com a "radicalidade" que os críticos atribuem ao próprio Saramago. Não raro as críticas mais impiedosas são lançadas por alguns intelectuais cristãos e pela ala mais ortodoxa da Igreja Católica. Curioso que sempre o considerei _ apesar do ateísmo declarado e a negação da metafísica (Saramago era marxista) _ um genuíno "cristão" quanto aos valores que impregnam sua obra e as reflexões frequentes e honestas sobre a religião e a religiosidade, sobre o Bem e o Mal. Saramago nesses quesitos, diria filosófico, fez mais pela dimensão subjetiva, interior do ser humano do que muitos ditos religiosos. Ao questionar o "inquestionável", ao ajudar a mover as "pas dos moinhos" das possibilidades do real e da fantasia elevou a fé (e a descrença) a um patamar de discussão que os verdadeiros extremistas e dogmáticos jamais colocariam em pauta.
     Penso que a fé, também, se sustenta pela busca da verdade por mais dura e incômoda que seja, e pelo exercício livre da imaginação, mas não foi essa a mesma compreensão do Jornal do Vaticano "L'Osservatore Romano" que em artigo, cujo título traduzido é "O grande (suposto) poder do narrador", declarou ser o escritor "um ideólogo antirreligioso, um homem e um intelectual que não admitia metafísica alguma, aprisionado até o fim em sua confiança profunda no materialismo histórico, o marxismo". E, ainda, o considera como "um populista extremista" que "colocou-se com lucidez ao lado das ervas daninhas no trigal do Evangelho".
    Essa é uma reação datada, pois tem início com a publicação em 1992 do "Evangelho segundo Jesus Cristo", no qual "O Salvador" teria perdido a virgindade com Maria Madalena e, acentuada ainda mais a fúria dos "defensores" dos dogmas cristãos e da Igreja, em 2009 com o livro "Caim" em que essa personagem bíblica (a personificação do Mal no universo cristão) é descrito como um Homem nem pior nem melhor do que ninguém. Como diria Nietzsche "humano, demasiado humano". Nessa obra Deus aparece como dotado de sentimentos, a semelhança da criatura, nem sempre louváveis.
    Outra coisa curiosa é que Saramago bebe _ entre outras _ nas fontes de Platão e Aristóteles. Sua referência a "alegoria da caverna" do Platão no "Ensaio sobre a Cequeira" é explícita e declarada. O interessante está no fato de que esses Filósofos gregos da antiguidade foram e são usados até hoje para sustentar concepções no escopo do cristianismo e, exceção à lógica aristotélica, a filosofia platônica não é bem quista pelo marxismo ordoxo que _ modo de dizer _ prefere outra dialética.
  Aos admiradores da obra de Saramago, resta esperar que  no decorrer da história continuem a reservar espaço para esse grande cultivador de histórias e semeador de ideias no solo das raras "ágoras" comtemporâneas. Assim como o disse Saramago "não tenhamos pressa, mas não percamos tempo".

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A VELHA CONCEPÇÃO KANTIANA DE MÚSICA?

Quarta, 1 de julho de 2009, 12h55 Atualizada às 18h16 .

"Há músicas e músicas
Umberto Eco*
Do The New York Times

É comum mencionar Kant como exemplo de falta de sensibilidade musical. Ele considerava a música uma arte inferior às outras, como a pintura, por exemplo, porque o valor da arte está no alimento intelectual que instiga, e a música, que simplesmente joga com sensações, ocupa o lugar mais baixo entre as artes porque "vai de certas sensações a ideias indefinidas, enquanto as artes figurativas vão de ideias determinadas a sensações. As outras manifestações artísticas provocam impressões duradouras, a música apenas deixa impressões passageiras".
São ideias bem discutíveis, mas Kant acrescentava: "Além disso, na música há ausência de urbanidade, devido à própria natureza dos instrumentos que propagam a sua ação além do que os vizinhos desejam; ela, de certa forma, abre passagem e vem perturbar a liberdade dos que não gostam de reuniões musicais, um inconveniente que as outras artes não têm, pois falam para a visão, para evitar contemplá-las basta virar os olhos em outra direção". A música quase poderia ser comparada aos cheiros, que se propagam de longe. "Quem tira do seu bolso um lenço perfumado, embora isso já tenha passado de moda, não consulta os demais e lhes impõe algo que não podem evitar, já que têm que respirar" (Crítica do juízo, 53).
Desprezar a estética da música porque incomoda os vizinhos é como negar o valor de Aída quando se apresenta na Arena de Verona e obriga os moradores da redondeza a ouvi-la. Contudo, eu, que moro em uma região de Milão onde por qualquer festividade são organizados shows de rock que duram até a madrugada, começo a pensar que Kant tinha uma parcela de razão, com o perdão de Giuseppe Verdi.
É normal que as pessoas não leiam imediatamente as publicações que lhe são enviadas porque não é possível ler tudo ao mesmo tempo (lemos a Ilíada quase três mil anos depois de ter sido escrita), por isso li com alguns meses de atraso o número 43 da Revista Nuovi argomenti, que traz uma espécie de diário do poeta Valerio Magrelli. Em certo ponto, Magrelli cita positivamente o trecho de Kant porque, segundo ele, existe a música que se escolhe e a que os outros nos impõem: "Trata-se de dois fenômenos antiestéticos. O primeiro representa um dos alimentos mais requintados que a espécie humana já recebeu, enquanto o outro é um simples crime. Um é uma dádiva que escolhemos, o outro é um castigo que recebemos". E no início do seu diário, Magrelli escreve que existem "dois materiais cujo abuso está destruindo a ecologia do planeta: plástico e música".
Com relação ao plástico não necessitamos de exemplos; embora o plástico tenha um ponto mais negativo do que a música, porque, como se sabe, os sons são voláteis e se dispersam pelo ar, mas o plástico é um material que permanece ao longo dos séculos.
Com relação à música, basta pensar até que ponto ela nos persegue nos aeroportos, nos bares e restaurantes, nos elevadores, no consultório do fisioterapeuta com um horroroso estilo New Age, nos toques dos celulares que ecoam nos trens a todo o momento Para Elisa ou a Sinfonia 40 de Mozart (que também acompanha insistentemente qualquer evento da televisão) e, pior ainda, a música nos assusta quando, sem ouvi-la, a adivinhamos nos ouvidos obcecados e atordoados dos descerebrados que passam do nosso lado com um fone enfiado no ouvido, incapazes de caminhar, pensar e respirar sem esse tormento como anjo da guarda.
Há décadas decidíamos ouvir música e ligávamos o rádio (operação que requeria um esforço manual), ou escolhíamos um disco (operação que também requeria uma reflexão intelectual e uma escolha de opinião), ou nos arrumávamos bem e íamos a um concerto, no qual exercíamos a nossa capacidade de discernimento entre uma boa e uma modesta execução, ou podíamos decidir que amávamos a Bach e odiávamos a Scriabin.
Agora, multidões de jovenzinhas com o umbigo de fora e rapazinhos de cabelos puxados roubam música através do computador para trocá-la entre si e ouvi-la o dia todo, e quando vão ao show ou à discoteca não é para desfrutar, mas para atordoar-se e, esquecendo as sutilezas do pedal, absorvem mais ruído do que música.É lógico que no trem muitos adultos embrutecidos também usam fones, incapazes que são de ler um jornal ou de olhar a paisagem.
Se a Mona Lisa estivesse em todos os cartazes de publicidade, se tornaria feia e obsessiva. Mas (e então Kant tinha razão) o nosso intelecto perceberia e reclamaríamos. No entanto, com a música não: estamos nela como em um banho amniótico. Como recuperar o dom da surdez?" [Terra Magazine, por Bob Fernandes in http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3852894-EI12929,00-Ha+musicas+e+musicas.html]

* Umberto Eco é filósofo e escritor. É autor de "A Misteriosa Chama Da Rainha Loana", "Baudolino", "O Nome da Rosa" e "O Pêndulo de Foucault". Artigo distribuído pelo The New York Times Sybdicate.

segunda-feira, 8 de março de 2010

MANIFESTO SLOW BLOG ...



Manifesto Slow Blog, blogar lentamente

1) Blogar lentamente é a rejeição ao imediatismo. É uma afirmação de que nem tudo que vale a pena ler é escrito rapidamente, e que muitos pensamentos são servidos melhor depois de completamente assados e redigidos em temperatura constante.

2) Blogar lentamente é uma maneira de valorizar a matéria, como os pixels que dão formas às suas palavras são preciosos e raros. É uma predisposição a deixar os eventos presentes passarem sem comentar. É deliberado em seu ritmo, não quebrando o seu caminhar sem pressa por nada além da verdadeira emergência. E talvez nem mesmo então, pois a lentidão não é a velocidade da maioria das emergências, e lugares onde a amada e tranquilizadora velocidade governam o dia servirão melhor para nós nestas épocas.

3) Blogar lentamente é o oposto da desintegração das frases em apenas uma linha, que são freqüentemente a vida primitiva de nossas melhores idéias. É um processo em que a luz irradia do brilho dos pensamentos e então desanuvia para assumir seu lugar no pano de fundo como parte de algo maior. Slow Blogging não escreve pensamentos nos pergaminhos etéricos e eternos antes deles oferecerem um valor persistente na formação de nossas idéias ao longo do tempo.

4) Blogar lentamente é uma disposição de permanecer em silêncio em meio aos ultrajes e êxtases que preenchem nada mais do que um simples momento no tempo, na alternância entre banalidades, decepções esmagadoras e contentamento psicótico do fim do mundo no mero espaço entre as manchetes. Aquilo que você desejaria ter dito naquela hora na semana passada pode ser dito na próxima semana, mês ou ano, e você somente parecerá mais inteligente.

5) Blogar lentamente é uma resposta e uma rejeição ao Pagerank. Pagerank, a bela-fera monstruosa que se senta atrás de diversas cortinas dobradas do Google, decidindo a autoridade e relevância das suas buscas. Blogue cedo, blogue com freqüencia, e o Google vai te recompensar. Condicione seu eu criativo a uma freqüencia secreta, e descubra-se adorado pelo Google; você vai aparecer onde todos olham - nas primeiras páginas do resultado. Siga seu próprio ritmo e encontre suas obras nunca encontradas; recuse o Pagerank e seus favores e sua obra será jogada mas profundezas dos resultados indiferenciados. Sua idéia retorcida de bem comum fez do Pagerank um aterrador inimigo de seus iguais, estabelecendo um ritmo que proíbe a reflexão necessária para sair do dia-a-dia cotidiano em direção ao legado.

6) Blogar lentamente é o re-estabelecimento da máquina como agente da expressão humana, ao invés de seu chicote e de seu recipiente. É a suspensão voluntária da roda de hamster girando à velocidade da luz ditando as regras da blogagem altamente efetiva. É uma imposição de temporalidades assincrônas, onde nós não digitamos mais rápido para alcançar o computador, onde a velocidade de recuperação não necessita do mesmo passo do consumo, onde boas e más obras são criadas em seu devido tempo.
Tradução para o português: Gabriel Dread, Irradiando Luz
Postado por Gabriel Dread às 11:11
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Contagem regressiva para a Copa do Mundo na África

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"Trens" da Alterosa - parte II

Chamada por alguns, inclusive por mim, de "roça iluminada" ou "roça grande" deixou saudades, apesar da ansiedade do retorno para casa no litoral paulista. Por pouco perdi um show de Rock no "Jack Bar" com bandas locais numa promoção de ajuda ao povo do Haiti, também, com um pouco mais de tempo participaria do encontro "Punk Geriátrico". As notícias sobre tal encontro dão conta do quão hilário e insólito foi reencontrar os rebeldes e renegados de ontem e verificar as mutações ou continuidades no modus vivendi de hoje.

A urbe aparentemente domada deitou mais uma vez suas garras em mim. A "Bagdá do mega pixels", conforme o verbete, ou melhor, a "entrada" Belo Horizonte na desciclopédia, calça como uma luva hightec tal definição. Realmente, percebi com os olhos "estrangeirados" de quem há muito partiu para outro Brasil que em "Beagá" as coisas parecem funcionar bem, entretanto nada disso... As pessoas estão muito mais apressadas, é quase um arremedo de Sampa. As imagens da cidade se espraiam como em tentativas de ilusão, de fuga e busca de identidade. Algo como painéis de led cujas partes apagadas revelassem _ sempre em pontos aleatórios _ os avessos da cidade. Não chega a ser o "avesso do avesso", é o contrário em doses sur(presas). Figuras de decadência descontextualizadas e desconsertantes. Uma cidade fake, porém muito distante de uma Dubai, maqueada para parecer aquilo que não é e procurando "baratinada" preservar o que já foi. Modernidade e tradição estão cindidos em seus embates particulares, na inócua tentativa de vencer o tempo e domar os espaços. Só o tempo dirá em que vai dar esta contrariedade. Quanto a contradição _ não tem remédio _ é inerente as grandes cidades, uai!

Na rodoviária, antes de partir passo mais uma vez para saldar o Fernando Sabino na acanhada exposição dedicada ele. Certo da minha condescendência aceito o provisório status de pequeno mentecapto. "Belô" continua suja e bela.

domingo, 24 de janeiro de 2010

"Trens" da Alterosa - parte I

Se alguma coisa parece boa demais para ser verdade,
então provalvemente é mesmo verdade.
Sidney Sheldon
Estou em Belo Horizonte há 4 dias. Restinho de férias... A capital mineira com suas ladeiras intermináveis e odor de fuligem me cansa, mas os mineiros (meus conterrâneos) me divertem.
Familiares e amigos me acolhem do modo que os bons amigos devem ser, afetuosos, sinceros e solícitos. Para equilibrar o ônus da franqueza típica da amizade alterosa, recebo o bônus da irreverência e o bom humor citadino através de inúmeros "causos" e "prosas" que pude ouvir e compartilhar até agora.
Em um buteco "copo sujo", conversei durante horas sobre literatura, entremeado o assunto por muitos fatos arrancados da memória sobre Brasil sob o regime getulista e reflexões éticas muito interessantes. E por que não dizer, desconsertantes. Aprendi muito, principalmente, sobre literatura de aventura e suspense. Num bar, né?!...rs. É pitoresco, porém talvez não seja contrário ou contraditório como possam imaginar.
Mecânica de autos, futebol, negócios e espiritismo fizeram parte do do repertório quase monológico em outras paragens e ocasiões, tendo por personagens outros (inter)locutores. É que não entendo muito desses microcosmos. Confesso minha ignorância, principalmente, em relação aos dois primeiros universos.
Chuva antes do jôgo. Desisto de ir ao mineirão, assisto a "pelada" pela TV. Empate, 1 X 1, Atlético mineiro e América. Debut do Wanderley Luxemburgo no Galo.
Comentam comigo e pude constatar que os "sebos" proliferam por aqui. As pessoas têm lido mais ou o mesmo público consumidor de livros novos migrou para o consumo de usados? Não sei. Fica a dúvida assim também outros questionamentos acerca da vida cultural em "Beagá". Detalhe: as livrarias estavam cheias, porém observei que a procura estava concentrada nos materias escolares.
Muita cerva no Balaio de Gato, Guarapan, Mate Couro, Del Rey em garrafa de vidro, pão de queijo e de batata (3 por por 2 mangos ou 4 por 2 e 40. Bão dimais!), queijo canastra (claro!), geléia de pimenta e de cachaça com torresmo carnudo, biscoito de polvilho frito fresquinho, cigarrinho de palha (lamentavelmente, admito, uma febre local). Ah!... os doces, espetáculo aos sentidos que vence qualquer reserva ao pecado da gula.
Evito traçar roteiros turísticos habituais em minhas andanças pela cidade. Não gosto de chão muito batido. Excessões ao glorioso e octagenário Mercado Central e ao quase soterrado pelas especulações imobiliárias e transformações urbanas, o Café Nice. O primeiro, é um desbunde de cores, aromas e sabores; o segundo, gostinho e cheiro de "ouro negro" e história.
É um período fraquíssimo para tentar revisitar a cena mineira do Rock in Roll. Só depois do carnaval (que pra quem curte, no interior é o que há) vão retomar as programações prolíferas no gênero em bares e casas noturnas por aqui. Me contento o "pocket show" particular improvisado pelo Leandro (da banda cover The Doors) abrangendo de Zeca Baleiro (MPB) a Rush (rock progressivo). Gostei! Aliás, abraços ao Ulisses (o Unilux) que partiu neste domingo para o Campus Party em Sampa, ao Fabiano, Hermano, o carinha que esqueci o nome e que cursa agronomia da UFV (mente aguçada Broh!) , Camila (a animada namorada do Leandro). Tutti bona gente!
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